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02/07/2005 13:12 apagando as luzes
 De mudança pro Blogger, deixo uma luzinha acesa pra quem aparecer por aqui e tiver vontade de ler algumas de minhas reminiscências. Agora estou em song.blogspot.com. Até lá.
Sônia G. say something (2)
31/05/2005 11:34 o palco de Antunes
 Quisera ter assistido a todas as montagens assinadas por Antunes Filho. Em compensação posso contar que vi Macunaíma (uma das poucas van- tagens da 'experiência'). Era garota e lembro de ter gostado muuuito, foi uma das primeiras peças a que assisti na vida, durava quatro horas. Bem mais adiante vim a saber que aquela montagem fora quase uma reinven- ção do teatro e tinha se tornado um marco na história das artes cênicas. 

Só reencontrei o teatro de Antunes Filho depois de vir pra São Paulo, em 1990. Desde então, devo a ele momentos de grande prazer... de felicida- de, até.
 Não sei se posso dizer o mesmo de Antígona , de Sófocles - novo trabalho da Companhia Macunaíma, em cartaz no Sesc Consolação (a casa de Antu- nes Filho). É a terceira tragédia grega encenada por Antunes e trupe. Mas, se cheguei a chorar durante Fragmentos Troianos e Medéia, em Antígona mais de uma vez tive que me controlar pra não cair na gargalhada... oops! Não descarto a possibilidade de algo estar errado comigo porém prefiro a- tacar outra teoria: tanto mais nos aproximamos da essência da tragédia, mais perto chegamos da comédia. Anyway, é Antunes Filho e eu não dei- xaria de ver por na-da. O cenário do J.C.Serroni é tudo!
Sônia G. say something (3)
31/05/2005 11:31 natureba
  Denise e eu trocamos babados fortes durante o almoço no Bistrô De La Paix, sábado à tarde. O dia tava lindo, e a Tupi é uma das ruas + agradáveis de São Paulo (pode não parecer mas esta cidade é super arborizada). Não falamos mal de ninguém! Recomendo os filés vege- tarianos.
Sônia G. say something (2)
23/05/2005 21:43 confinamento (2) Até a mais prazerosa das profissões envolve tarefas maçantes. No jorna- lismo, por exemplo: é muuuito chato decupar (transcrever) fitas contendo entrevistas e reportagens. A má notícia (principalmente p/ quem edita con- teúdo em TV) é que não há etapa mais importante do que a decupagem.
Foram anos e anos de quase sofrimento até perceber, num belo dia, que decupar havia finalmente deixado de ser doloroso pra mim (inacreditavel, nunca pensei que isso pudesse acontecer). Estaria mentindo se dissesse que passei a gostar de empenhar horas a transcrever sonoras e descre- ver imagens (marcando os exatos pontos de entrada e saída!). A explica- ção é outra. Aprendi que muito pior é enfrentar as conseqüências de uma decupagem mal feita.
Poucos souberam dimensionar o real valor dessa tal de decupagem como os cineastas ingleses Karel Reisz e Gavin Millar, autores do livro 'A Técnica da Montagem Cinematográfica' - lançado nos anos 60 e até hoje conside- rado uma espécie de bíblia entre quem trabalha c/ imagens em movimento (difícil de encontrar!). Convictos de que 'a montagem deve começar muito antes que o filme chegue às salas de corte', Reisz e Millar sentenciam, sin- gelamente:
A menos que o material tenha sido intimamente compreendido, não se pode esperar dar-lhe vida.
Sônia G. say something (7)
16/05/2005 11:33 confinamento
 Ultimamente tenho passado hoooras confinada em ilhas de edição, mon- tando programas. O trabalho exige concentração e muita paciência. Mas não é desgastante. Pelo contrário, há momentos bem divertidos. Ainda mais quando as pessoas com as quais dividimos o espaço e a tarefa são bacaninhas - como Buck, Cris e Markinhos. O único porém é que a gente sai dali c/ os neurônios pedindo um tempo. Não tenho feito quase nada, atualmente meus programas mais movimentados são ler e ouvir música.
 Não fosse meu amiguinho Cunha Jr. e eu estaria completamente defasada em relação aos acontecimentos culturais da cidade. Ele me arrastou p/ ver o show do Placebo, o filme Old Boy, e a peça do Gerald Thomas c/ Marco Nanini - Um Circo de Rins e Fígados.
 By the way, tô lendo A Divina Comédia dos Mutantes, do jornalista Carlos Calado. Como eles eram lindos! E ando ouvindo direto a Radio 1, da BBC.
Sônia G. say something (3)
05/05/2005 12:05 à minha cabeceira
 Início de mais uma madrugada. O poeta gaúcho Mario Quintana chega à pensão em que morava, perto da avenida Independência (em Porto Alegre), e é mal recebido pelos cachorros. Quintana reage aos latidos com todos os palavrões disponíveis.
Em meio à gritaria, abre-se a janela e surge a dona da pensão: - Mas o que é isso, seu Mario? O senhor, um homem tão culto, dizendo essas barbaridades!
Ele se defende: - É que a senhora não sabe os nomes que os seus cachorros estão me dizendo...
A historinha aí de cima é uma das 113 reunidas no livro do meu querido amigo Juarez Fonseca, todas em torno do humor e a irreverência de Mario Quintana (1906-1994). Ora Bolas, O Humor Cotidiano de Mario Quintana não sai da minha cabeceira. O livro ta esgotado (após três edições). Bem que a editora Artes e Ofícios podia relançá-lo no centenário de nascimento do poeta, ano que vem. Enquanto não rola, aí vai mais uma do Mario:
Na época em que trabalhava na editora Globo, Mario Quintana andava sempre duro. O salário terminava bem antes do fim do mes, ele vivia pedindo vales de adiantamento. Um dia, o caixa chiou:
- Mas, seu Mario, o senhor já tem um monte de vales!
Quis saber, com aquele sorriso maroto: - Afinal, são vales ou são montes?
Sônia G. say something (6)
25/04/2005 11:46 negociando com o tempo

Definitivamente, num dia cabe muito - mas não tudo. Ultimamente venho estabelecendo uma escala de importância e prioridade, de modo a levantar da cama e partir direto pro que de fato interessa (em bom português 'deixo pra amanhã tudo o que não preciso fazer hoje'). É incrível, ta funcionando!! Tenho cumprido (e direitinho) todas as tarefas que simplesmente não podem esperar. Bem na linha 'um dia de cada vez'.
Nas últimas duas semanas até sobrou um tempinho pra atualizar a agenda cultural. Fui ver:

Maria Cheia de Graça, um ótimo filme sobre a duríssima vida dos que esperam ver dias melhores transportando drogas no estômago. Na Colômbia é comum, principalmente entre mulheres. É a estréia no cinema, da jovem e bela atriz colombiana Catalina Sandino Moreno - que soube exteriorizar muito bem o processo emocional por que passa essa gente. Um 'mula' chega a engolir até 100 cápsulas antes de embarcar num avião, numa operação extremamente desconfortável, e perigosa (se uma cápsula se romper e a droga vazar, o cara morre). No filme tudo é tão real, mais parece um bom documentário (direção do também estreante Joshua Marston).

O Clã das Adagas Voadoras - lindo, lindo, lindo! O diretor é o chinês Zhang Yimou e a exuberante direção de arte leva a assinatura de Han Zong. Só não curti muito o peso dado à história de amor, queria mais adagas voadoras cruzando a telona. By the way, é filme pra assistir no cinema, seria um desperdício deixar pra ver em casa.

Galileo Galilei - a bela montagem da peça de Bertold Brecht ficou só duas semanas em cartaz no Teatro Alfa. Melhor assim, pois pra fazer teatro é preciso forma física e mental - tudo o que falta a Paulo César Peréio (apesar dele ser um ótimo ator). No dia em que assisti, Peréio esqueceu o texto várias vezes. A falta de concentração justo do protagonista estraga o prazer de quem ta vendo (aliás, éramos poucos na platéia). Um profissional consciente de suas limitações não aceitaria interpretar o personagem central de um espetáculo caro como certamente saiu Galileo Galilei - havia até uma orquestra em cena (de câmara da USP). Anyway, valeu a pena ir até o Alfa, só pelo capricho e esmero do diretor cênico Rubens Velloso.

Cubo - fofo, fofo, fofo. O espetáculo multimídia com bailarinos da companhia LudicaDança me fez rir feito criança, adoro quando isto acontece. Trata-se de uma criação a seis mãos sendo que duas delas pertencem a Fernando Meirelles (diretor do Cidade de Deus). Cubo é formado por 16 breves coreografias, pequenas crônicas visuais narradas com inteligência e bom-humor. Pra todas as idades.

Também dei uma passada no Skol Beats que, definitivamente, deixou de ser festa pra virar um 'evento' de música eletrônica. Tudo muuuito grande, muuito longe, dancei à beça mas também caminhei, caminhei, caminhei... Pessoalmente, prefiro um clima mais intimista (pista pequena, beem escura, luz negra, e som no máximo). Na foto estamos Cláudia Erthal, Marcos Maciel, esta que vos escreve, Cunha Jr. e Guta Pacheco.

Trabalhei o feriado inteirinho, porém num ritmo suave, curti muito. Até consegui dedicar algumas horas a ler Paul Auster, jogar Myst III: Exile (fazia dois meses que não pegava nele!), e pra atualizar este blog - o que dá um senhor trabalho!
Sônia G. say something (5)
14/04/2005 12:25 pool playing

NÃO fiz feio na terra em que sinuca é nobre modalidade esportiva. Tá certo que não dei nenhum show. Diria que encaçapei uma bola a cada três, quatro tacadas... Nada mal, hã? Principalmente pra quem não pegava num taco há anos (culpa do computador!). Cheguei, pedi uma mesa (table six), me preparei pro vexame - what am I doing here?? Embora mulheres sejam muito bem-vindas nos snooker's clubs da Inglaterra, enquanto estive ali fui a única presença feminina (tratada como uma lady, of course). Tenho pensado muito a respeito dessa experiência, bater bola sozinha é ótimo - um incrível exercício de concentração, e de equilíbrio mental. PRECISO dar um jeito de encaixar essa prática em minha rotina, novamente.
Aos queridos que andam pedindo fotos, aí vão algumas (classics):




Sônia G. say something (7)
04/04/2005 11:01 U.K.

Em cartaz no circuito londrino, 9 Songs é integral e literalmente sobre sexo e rock'n'roll. Rolam drogas também, mas muito de leve. A story-line é simples: um casal trepa o tempo todo (explicitamente!), e só sai de casa pra assistir a concertos de rock - Primal Scream, Franz Ferdinand, Super Furry Animals e outras seis bandas (totalizando as nove músicas que embalam o filme). Como diria minha amiga Lúcia Soares, 'é de molhar as calcinhas...' O website de 9 Songs é ótimo.

MA-RA-VI-LHO-SA, Vanessa Redgrave acaba de estrear em Londres como Hécuba, de Eurípides. Fiquei até nervosa na hora do espetáculo começar. A montagem da Royal Shakespeare Company (à qual Redgrave está retornando após 40 anos) é classuda, cenário e figurinos não se parecem com alegorias de escola de samba nem o elenco ruge e/ou geme pra expressar a dor e o sofrimento que permeiam o gênero. Pena que Vanessa Redgrave esteja se recuperando de uma cirurgia e precisa se poupar um pouco ao longo da encenação. ANYWAY, por mim ela podia até fazer o papel de uma estátua - que eu ia adorar.

Em compensação quem está em plena forma e dando TUDO de si no palco é Kevin Spacey, no papel central de National Anthems (Hino Nacional). Na peça Spacey é Ben, bombeiro de uma cidade americana, demitido após 21 anos por desobedecer ordens superiores (e entrar num prédio em chamas pra salvar uma mulher que viu pela janela). O ressentido bombeiro bate à porta de um casal que acaba de se mudar pro bairro, muito a fim de desabafar. Durante o estranho encontro as três pessoas exteriorizam distintos sentimentos e emoções - exercício que exige o máximo do elenco (Mary Stuart Masterson e Steven Weber também estão ótimos). Saí do Old Vic Theatre bem satisfeita.

O reencontro com minha amiga Ivone foi muito bom. Parceira de antigas (e fortíssimas) baladas, desde que nos vimos pela última vez Ivone passou por poucas e boas, teve a segunda filha e hoje - enfim - pode encarar o futuro com otimismo e alegria. Na linda Ipswich onde Ivone mora há três anos, existem várias marinas como essa que aparece atrás dela. E, como em quase todo o interior da Inglaterra, nos feriados Ipwswich pára, e fica praticamente deserta.
Sônia G. say something (7)
24/03/2005 10:31 no accents
 Embora ja seja primavera ainda faz um puta frio em Londres. Mas tudo por aqui e tao lindo que eu nem ligo pro vento gelado, quero mais e an- dar pelas ruas e parques da cidade, onde ate agora so vi gente bonita.
 Neste exato momento estou em Ipswich, uma encantadora cidadezinha tipicamente inglesa, onde vim visitar minha querida amiga Ivone (que se mandou pra Europa ha uns cinco anos e, pelo jeito, nao volta mais pra terrinha). Incrivel como os ingleses parecem diferentes dos londrinos...
Dificil vai ser esquecer da viagem de trem entre Londres e Ipswich, pois em toda a minha vida nunca havia contemplado uma paisagem tao buco- lica... bela demais!
Nao consegui configurar o teclado do computador pelo qual to acessando a rede, de modo que o texto vai sem acentos, mesmo (sorry!). Ainda por cima esqueci de trazer o cabo da minha maquina fotografica... aqui tem pra vender, mas custa 13 libras (1 libra equivale a 5 reais e 50 centavos, pode uma coisa dessas?).
Saudades de todos.
Sônia G. say something (5)
17/03/2005 10:12 velhas e boas amizades

Tenho muito orgulho das amizades que fiz na adolescência. Minhas amigas se transformaram em mulheres fortes, corajosas, de caráter, e determina- das a ser felizes. Sinceramente, espero ter me tornado pelo menos pareci- da com elas. Da esquerda pra direita: Rosana, Nivinha, Sônia, Rosa, Ana e Cláudia. Quem fez nossa foto foi outra figura muito presente em minha juventude. Chama-se Ita Kirsch, e não é fraco, não. Ita abraçou a fotografia e hoje assina flagrantes como este, clicado em Mostardas, litoral do r.g.do sul:  Sônia G. say something (4) 15/03/2005 09:38 Posso esclarecer?
 Aos queridos e fofos amigos que volta e meia me dão o prazer de visitar este modesto blog: estou super consciente de que tenho postado pou- quíssimo ultimamente. Explico: ando trabalhando muuuuito (o que é ótimo!) e mal tem sobrado tempo pra qualquer outra coisa - nem mesmo pra acompanhar meus se- riados favoritos (incluindo o novíssimo Lost, que é bem bom). Por favor, não desistam de mim... Voltem! Até porque, viajo domingo - e só vou contar aqui! Sônia G. say something (4) 07/03/2005 12:58 Paz e música
 Era uma garotinha quando Woodstock foi exibido na cidade em que eu morava, lá no sul. Minha irmã mais velha me carregou pro cinema (lotado, sentamos de cara pra telona). Como era praticamente uma criança, e o filme longo, acabei cochilando em vários momentos. Hoje eu não saberia dizer quantas vezes já assisti a Woodstock. De uns tempos pra cá bati todos os recordes porque o Warner Channel programa o filme quase que mensalmente, e eu nunca perco. By the way, o tema só entrou em pauta porque sábado à noite mais uma vez estanquei na fren- te da tv durante quase quatro horas (somados os breaks). Trata-se de uma obra-prima, ganhou até o Oscar de melhor documentário. A captação é perfeita, principalmente quando se leva em conta que os re- cursos técnicos disponíveis em 1969 eram bem outros. Acho que até então ninguém tinha experimentado dividir a grande tela pra mostrar mais de 1 situação e/ou ângulo, simultâneamente. Quanto ao show... sempre me ar- repio aos primeiros acordes de 'With a Little Help from My Friend' com Joe Cocker. O festival foi pródigo em performances de alto impacto (por assim dizer): Ten Years After, Richie Havens, Santana (e o maravilhoso batera Mike Shrieve), Janis, e HENDRIX. De tão farto o material bruto rendeu uma pequena série de DVDs, cada um correspondendo a um dos 'três dias de paz e música' (difícil de encon- trar à venda, atualmente). A procedência é a mesma - o diretor Michael Wadleigh foi o único a documentar o festival. Os DVDs contêm quase tudo o que ficou de fora do filme e uma boa parte do que tá no filme. Tenho os três DVDs, já vi todos mais de uma vez, e certamente ainda verei outras mais (não me peçam pra emprestar, tá? vão à luta). Sônia G. say something (6) 27/02/2005 20:43 buraco negro Chego em casa - não muito tarde, nem um pouco bêbada - não acho a chave de casa. Sento na escada em frente à porta do meu apartamento e simplesmente tiro TUDO que há dentro da bolsa. Digamos que a chave foi o penúltimo objeto localizado...
Menos de uma hora depois, ouço uns ruídos do lado de fora do apê. Pelo olho mágico vejo a vizinha, sentada na mesma escada em frente à minha porta, tirando TUDO de dentro da bolsa dela, à procura da chave de casa. 
Costumo comparar bolsa de mulher aos buracos negros que se formam no espaço sideral. Em defesa de minha teoria, abaixo reproduzo trechos de artigos que li sobre o fenômeno:
Região do espaço onde a matéria se concentra...
... campo gravitacional intenso que irá atrair mais matéria, aumentando o campo gravitacional e atraindo ainda mais matéria...
... nada mais pode ser detectado...
... ele continua a devorar matéria...
Existe um limite onde o buraco negro pararia de crescer?
A matéria poderia ser transferida através de um universo paralelo? Em que época? No passado ou no futuro? Não sabemos.
Quanto mais estudamos o problema, mais modelos teóricos - cada vez mais complexos - são apresentados e aumentam a lista de perguntas a ser respondidas.
Alguns autores já o classificaram como 'o supremo desconhecível'. Sônia G. say something (3) /BlogInicioPost?>
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