reminiscências
jornalísticas (ou não)
Sônia G.



29/11/2004 14:05
stress cultural (final!)

Pra acompanhar e participar da vida cultural de uma cidade como São Paulo é preciso tempo, certa grana, criatividade (maior, quanto menor for a grana), alguns bons contatos (gente que nos convide...), e energia.

Faltando 1 mês pro final do ano, confesso que não tenho mais disposição pra me mover em direção a qualquer teatro ou casa de shows. No máximo um cineminha (e, ainda assim, só se o tema for ameno) ... Foi exatamente o que fiz neste fim-de-semana.



Assisti ao fraquinho Bridget Jones - No Limite da Razão,


e ao gracioso Capitão Sky e o Mundo de Amanhã. Achei o filme muito agradável aos olhos. Talvez porque me remeteu à ambiência dos jogos de aventura pra PC, que eu simplesmente A-MO (quem me conhece bem, sabe o quanto). Sem falar que Jude Law, Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie estão fofos demais.

Enfim...

Fazendo um balanço, em 2004 vi pelo menos metade do que pretendia.
A outra metade, se perdi, garanto que não foi por falta de ânimo.


Sônia G.
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25/11/2004 11:14
pequenos, perigosos prazeres

Apesar dos esforços que empreendo pra manter distância do terreno das tentações, elas são como buraco de rua (tem sempre algum no caminho).

Faço terapia no Paraíso, bem naquele quarteirão famoso pelas casas de salgados (e doces!) árabes. Em pelo menos duas delas as esfihas fechadas são tão gostosas que não consigo deixar de comer nem que seja umazinha, antes ou depois de cada sessão.

Uma das produtoras pras quais faço freelas fica a metros da Empada Brasil de Pinheiros. Basta ter trabalho por lá que eu já começo a pensar em 'qual empada vou comer dessa vez?'. Impossível resistir, ontem experimentei a de camarão.

Poderia enunciar uma tentação pra cada lugar em que já finquei bandeira. Prefiro me concentrar no aparelhinho que instalei em meu 'loft', e do qual certamente vou precisar muito, se não parar de ceder tão facilmente a esses pequenos, porém perigosíssimos prazeres...


Sônia G.
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24/11/2004 22:42

dri & lu...

duas pessoinhas que tornam este (meu) mundo melhor.



Sônia G.
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24/11/2004 13:33
um pensamento pro dia:

A cultura moderna exige níveis de coerência e estabilidade
impossíveis de ser praticados por qualquer pessoa
medianamente normal.


Oscar Quiroga - astrólogo



Sônia G.
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19/11/2004 12:46
stress cultural (2)

Megaexposição a gente tem que visitar na primeira semana ou o que era pra ser um momento de prazer acaba praticamente beirando o tormento. Aprendi com as mostras Brasil:500 Anos e China:Guerreiros de Xian e os Tesouros da Cidade Proibida. A primeira eu simplesmente não consegui ver, ficou impraticavel contemplar qualquer coisa! Quanto à segunda, ainda lembro da turba de adolescentes uniformizados, entre mim e os guerreiros de terracota...

Fui à Bienal Internacional de São Paulo menos de dez dias após a abertura. Demorei, pois já encontrei instalações interditadas, 'em manutenção'. Pela primeira vez o acesso à Bienal foi liberado. Acho isso maravilhoso, principalmente porque as pessoas precisam aprender a apreciar e respeitar uma obra - seja ela de arte ou não... hahahaha... Tô falando assim porque esta é, na minha opinião, a Bienal mais fraca de todas as que visitei (pelo menos seis). Ao mesmo tempo em que me agradou muito o espaço concedido à fotografia (sobretudo aos trabalhos dos fotógrafos africanos), há videoinstalações demais pro meu gosto... Considero que esse formato ainda engatinha perto de outros modos de arte, inclusive em relação ao próprio conceito de instalação - que em geral me fascina. Enfim... Senti falta de mais obras capazes de nos deixar sem fôlego.

Pois essas estão em outro lugar! Mais precisamente no Insituto Tomie Ohtake, onde rola (só até dia 28) a big mostra dos mestres do dadaísmo e surrealismo.

O título da exposição já diz muito: Sonhando de Olhos Abertos. Estão em exposição 240 trabalhos, dos maiores viajandões do início do século 20: Duchamp, Dali, Man Ray... há obras de 100 artistas (é visita pra no mínimo hora e meia).

Saí do Tomie Ohtake convencida de que somos a ralé da humanidade, e que as melhores cabeças já passaram por aqui - há muito tempo.


Sônia G.
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14/11/2004 22:10
musa do verão



Tá cada vez mais fácil encontrar cerveja Itaipava nos bares e supermercados de São Paulo. Como o preço médio da latinha JÁ SUBIU em vários lugares, suponho que a procura esteja crescendo. Não é de admirar: nos últimos anos os bebedores regulares menos afortunados (entre os quais me incluo) tiveram de se contentar com as entediantes Antártica, Brahma e Skol (saudades dos tempos em que uma cerveja importada custava o mesmo que as nacionais + baratas...).

A Itaipava (fabricada em Petrópolis) não é apenas saborosa. A lata vem com um civilizadíssimo selo protetor no bocal. Quem teve a idéia É gênio.

Na mesma linha (preço de Antártica, nível de Bohemia), estou inclinada a classificar as cervejas Glacial e Primus. Nem parece mas ambas são produzidas pelo mesmo fabricante da Schinchariol. E pensar que os caras investiram mais de 200 milhões de reais pra divulgar a Nova Schin durante dois anos, e ao mesmo tempo lançavam discretamente a Glacial (prum segmento popular). By the way: NÃO experimente a Nova Schin. Consegue ser pior que a velha.


Sônia G.
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08/11/2004 14:10

rock'n'roll!

PJ Harvey é ma-ra-vi-lho-sa! Uma nova Tina Turner (em minha muito modesta opinião). Embora não se pareça em nada com a leoa da Tina, PJ é uma inglesinha porreta, com incrível energia e voz pra cantar o que quiser, principalmente blues e rock.

Já havia dado por muito bem gastos os 80 paus que paguei pelo ingresso (pra noite de sábado do Tim Festival), quando o Primal Scream entrou no palco e despejou um set list altamente dançante (e com a mesma garra da PJ). Me acabei. Eu e a galerinha com que tive o prazer de assistir aos dois shows. Pelas expressões alegres e contentes, nem é preciso dizer que todos adoraram:





Começando lá no alto: eu, Paulinha, Herbert se escondendo atrás da Guta, Cunha, mais Herbert, mais Guta, e Marquinhos. Tão faltando Tuca, Denise e Telso (que sumiram entre um show e outro). Também encontrei Renatinha, Celso, Andréa, Júlio, Peninha, Lúcia, Hélio, No, Adriano, Dani, Nádia... e conheci Guilherme.


Sônia G.
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05/11/2004 12:50
tempo perdido (?)

Queria tanto fazer updates mais freqüentes deste blog, é um de meus maiores prazeres. Mas toma tempo e dá trabalho (quem é ou já foi blogueiro, sabe). Trabalhei durante todo o feriado, e há três dias o horário de verão faz de mim quase um zumbi. Precisei me esforçar pra pegar umas sessõezinhas da mostra internacional de cinema.



Bem-vindo a São Paulo é um filme (bem) ruim. A organização da mostra teve a boa idéia de convidar 20 cineastas (quase todos estrangeiros), pra realizar curtas-metragens em vídeo tendo São Paulo como tema. Pelo que deu pra perceber a maioria fez o seu nas coxas. O israelense Amos Gitai, por exemplo: o 'curta' dele resume-se a uma longa tomada de um dos corredores do Holliday Inn (onde Gitai ficou hospedado durante o Fórum Cultural Mundial). Na tentativa de transformar aquela imagem em 'algo', o produtor Leon Cakoff incluiu trechos de uma entrevista feita com Amos Gitai na sala de embarque do aeroporto, EXPLICANDO a imagem do corredor. Ridículo, apesar de eu achar Gitai um charme. Pra cobrir os 'brancos' decorrentes da falta de conteúdo, Cakoff inseriu imagens atuais alternadas com fotos da São Paulo antiga (original, hã?). Fizeram o Caetano Veloso narrar um texto com pérolas como 'São Paulo é a terceira maior cidade do mundo... a primeira em concentração de edifícios' ... hahaha... Agora eu tô rindo mas na hora não achei graça nenhuma, afinal paguei pra ver aquilo. Daniela Thomas e o alemão Wolfgang Becker salvaram o filme do completo desastre com simpáticas homenagens à Paulicéia, ainda assim aquém das capacidades de ambos.



10 sobre Dez não é um filme e sim uma aula do diretor iraniano Abbas Kiarostami - sobre cinema. O que se vê na tela, durante 1 hora e meia, é Kiarostami falando pruma câmera portátil, enquanto dirige por Terrã (onde rodou Gosto de Cereja e Dez. seus dois filmes mais conhecidos, pelo menos por aqui). Do pouco que vi dessa mostra, foi o que mais me agradou.



Fraquinho o documentário Mate seus Idolos, sobre os primórdios do movimento punk (1970-80) em Nova York. Depoimento, música, depoimento, depoimento, música... a linguagem oficial da televisão (onde se diria seqüência de sonoras alternadas com sobe-som). É isto, parece mais uma (longa) matéria de tv.



Viciados em Atuar é um documentário correto (não mais que) sobre a escola de teatro alemã Ernst Bush. Uma espécie de reality-show (!), o filme registra momentos da vida de quatro estudantes da Ernst Bush, desde os testes pra ingressar na conceituada academia, até depois da conclusão do curso. Me impressionou o nível de profissionalização da carreira de ator em sociedades avançadas. A maioria dos alunos sai da escola com pelo menos uma proposta de emprego em alguma companhia estável.


Sônia G.
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