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25/09/2004 22:33 sob nova direção

A Supremacia Bourne é uma versão resolvidíssima de Identidade Bourne. Sob a direção de Paul Greengrass, o assassino profissional Jason Bourne (Matt Damon) continua se valendo apenas de fragmentos da memória perdida pra se dar bem numa caçada sem tréguas - na qual ele é a caça. Mas a trama, agora, foi muito bem amarrada. E, ao invés de tentar entender o que é mesmo que tá acontecendo, o espectador pode se concentrar nas eletrizantes perseguições captadas por uma câmera subjetiva que nos coloca virtualmente dentro da tela - daí a diferença que certamente fará ver (ou não) no cinema. Matt Damon é incrivelmente fotogênico, e o diretor tinha plena consciência disso quando fez o filme.
Sônia G. say something (2)
22/09/2004 23:18 temporada encerrada 2
Não contei que fui assistir DE NOVO à maravilhosa Os Sete Afluentes do Rio Ota (aquela do canadense Robert Lepage, que dura CINCO HORAS, é toda multimídia, encenada em vários idiomas, e outras coisas ótimas...)
Como da primeira vez, não vi o tempo passar. Nem eu, nem os amigos com quem dividi essa verdadeira experiência. Saímos depois da cortina baixar, e bem devagar - trocando impressões e sensações.
A peça saiu de cartaz domingo. Inesquecível. 

Sônia G. say something (1)
21/09/2004 23:27 temporada encerrada
Quando entrei no Sesc Anchieta, sexta à noite, não achava que fosse gostar tanto de Tauromaquia. Teatro é que nem futebol, uma verdadeira caixinha de surpresas. Por mais que a gente se informe sobre um espetáculo, por maiores e melhores que sejam as referências a respeito do autor, diretor, elenco, equipe etc, só na hora é que dá pra saber se o esforço valeu (ou NÃO). 
'Who are you people?' A pergunta me vinha, diante daqueles atores. Fora o ótimo Walter Breda que já vi mais de uma vez em cena, não conhecia os demais, e TODOS são talentosos, figuras interessantes, artistas de personalidade... Falha minha, pois a Cia Teatro Balagan já foi notícia, quatro anos atrás com a montagem Sacromaquia, e em 2003 quando encenou A Besta na Lua. 
Em Tauromaquia um grupo de vaqueiros conduz o gado pelo sertão (eis a story-line). Cenário, luz e figurino (roupas originais de vaqueiros) compõem um conjunto monocromático de grande efeito, valorizado pelo trabalho corporal dos atores, cuja expressão em muitos momentos se distancia da condição humana - a tal da tauromaquia. É de Márcio Medina a concepção visual do espetáculo montado por Alessandro Toller, a partir de Vaqueiros e Cantadores, de Luis da Câmara Cascudo.
A temporada acabou domingo mas a peça deve voltar a cartaz. Quanto a mim, não tenho a menor dúvida de que estarei na platéia da próxima montagem da cia. Balagan.
Sônia G. say something (1)
17/09/2004 00:33 gabba gabba hey!

Com a morte do guitarrista Johnny Ramone, já são três os Ramones que se vão - de 2001 pra cá. Primeiro foi Joey, o vocalista. Em seguida morreu o baixista, Dee Dee. E a partir de agora só resta o batera Tommy. Em outras palavras, a banda que 30 anos atrás inventou o punk rock está praticamente extinta. Literalmente. Os Ramones tocaram várias vezes aqui. Só vi uma, no início dos 90 (no Dama Xoc). O show foi ÓTIMO. Lembro claramente que ri muito naquela noite, eles eram divertidos mesmo sem sorrir (pelo contrário, os Ramones faziam a linha bad guys entediados). Boa reminiscência... Minha porção roqueira está de luto.
Sônia G. say something (4)
11/09/2004 21:57 abdução no Sónar Sound

Me diverte muito o jogo proposto pela arte multimídia, de romper as barreiras entre o real e o virtual. Senti como se estivesse por ser abduzida, numa das instalações montadas no Instituto Tomie Ohtake, onde rolam as mostras de arte digital do Sónar Sound. Quem fez a foto aí de cima foi meu amigo Samuel Betts, um dos iluminadores cênicos mais bacanas deste país.

Samuca bolou um sistema maluco de projeção pra vídeoinstalação chamada Cinema Extrapolado - em que não só as imagens, mas as próprias janelas nas quais elas são projetadas, acompanham a beat eletrônica. Bem legal.
Sônia G. say something (3)
10/09/2004 10:09 sou da paz
Vou ao teatro pra me divertir, entreter, me emocionar, me desligar das preocupações de um cotidiano opressivo, pra relaxar, elevar o espírito, me inspirar, enfim... Pra continuar acreditando que vale a pena habitar este mundo. Se quiser violência eu ligo a TV, abro um jornal. Passei mal, dias atrás, enquanto lia uma reportagem com detalhes sobre a barbaridade cometida contra as crianças na Rússia. Falo sério, tive que interromper a leitura e ir pra janela, respirar fundo. Me considero, portanto, liberada de explicar por que não gostei de Blasted, a primeira peça escrita pela inglesa Sarah Kane - e que está sendo encenada em São Paulo até 3 de outubro. 
Dois dos textos mais recentes de Sarah Kane (Ânsia, e Psicose) já foram montados aqui, e causaram um certo furor entre os vorazes consumidores de cultura da cidade. Não vi nenhuma das duas peças. Conheço gente que amou, assim como sei de várias pessoas que odiaram (uma ou outra, ou ambas).
Especificamente sobre Blasted (em português, Arruinados, mas que eu traduziria como Detonados): três personagens vivem momentos decisivos num quarto de hotel, em meio a uma guerra urbana. Personagens estupram e são estuprados, devoram e são devorados. Resumindo: são quase duas horas de violência física, mental e moral (apresentadas com grande competência, diga-se de passagem).
Não fossem as pessoas legais, queridas e bonitas com quem tive o prazer de estar na estréia de Blasted, e eu teria voltado pra casa achando que perdi meu tempo.
Sarah Kane se suicidou em 1999, aos 28 anos.
Sônia G. say something (1)
04/09/2004 20:26 o poder do maracatu

Adoro os shows da Nação Zumbi. A cadência tribal da mangue beat mexe com a gente. Fomos (Helga e eu) ao DirecTV, com convites de camarote à nossa espera. Dez minutos depois do show começar trocamos o confortável sofá, pela pista - ainda o melhor lugar (como velha roqueira domino o assunto, Helga idem). 
A Nação produz acordes e ritmos que estimulam territórios menos explorados dos meus ouvidos... é gostoso sentir isso. Em minha modestíssima opinião, nem nos períodos menos férteis da banda, os horizontes sonoros da Nação Zumbi chegam a se estreitar. Difícil não pensar... pela enésima vez... Pena que o Chico Science morreu.
Sônia G. say something (1)
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