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30/06/2004 23:51 caixa mágica (final)

NÃO POSSO deixar de falar do espetáculo O Que Diz Molero, que não é peça e sim um romance-em-cena (fruto de uma sacada incrível do diretor Aderbal Freire-Filho). Funciona assim: o elenco narra um livro inteirinho, ao mesmo tempo em que representa as situações nele descritas. Não parece adorável? Pois é o que fazem os atores do Centro de Demolição e Reconstrução do Espetáculo com o ótimo romance O Que Diz Molero, do jornalista português Dinis Machado. A representação (assim eu chamaria) dura quatro horas, resultado de um impressionante trabalho de memorização e concentração do elenco - pois é texto que não acaba mais. Uma experiência! Que venham mais romances-em-cena. Encerro esta série de posts sobre teatro com uma frase do Fernando Bonassi, que tirei do meio de um texto publicado na Folha de S.Paulo: 'Onde houve e há teatro, houve e há civilização, por mais esquisita que seja essa noção.'
Sônia G. say something (0)
29/06/2004 16:07 caixa mágica (3)
  
A idéia de passar cinco horas praticamente imóvel, assistindo a uma peça, costuma assustar até quem vai muito a teatro. Reconheço que não só estou me habituando a essas quase maratonas teatrais (cada vez mais comuns e freqüentes), como começo a sentir forte atração pelo que muitos consideram sinônimo de tormento. Poucos espetáculos me encantaram tanto, até hoje, quanto Os Sete Afluentes do Rio Ota, que está de volta a São Paulo pruma breve temporada no Teatro Hilton. A peça dura cinco horas (que a gente não vê passar!), atravessa toda a segunda metade do século 20, é ambientada em três continentes, encenada em quatro idiomas e, seguramente, trata-se de uma das mais refinadas combinações de mídias a que o teatro já ousou. A platéia se deixa levar numa boa... morremos de rir e também de chorar (ouvem-se os soluços, de todos os lados). Gostei tanto que veria outra vez...
Sônia G. say something (2)
28/06/2004 12:05 caixa mágica (2)

Costumo comparar o palco a uma enorme caixa em 3D, diante da qual me sento, para contemplar - feliz. Em algumas vezes, a felicidade é maior do que em outras. De veeez em quando, ela é total. O caso de Mademoiselle Chanel, por Marília Pera. Marilia que, no teatro, já interpretou outras mulheres singulares e extraordinárias (de Dalva de Oliveira a Maria Callas), conseguiu exceder a si mesma na composição de Grabrielle Chanel - uma das principais estilistas de moda do século 20, imortalizada por criações que vão da bolsa à tiracolo ao chamado 'pretinho básico'. Em certos momentos, não sabemos se estamos emocionados pela vida e personalidade - fascinante - de Coco Chanel (como era conhecida), ou se a principal fonte geradora daquela sensação é a própria Marília Pera. Durante a peça (dirigida por Jorge Takla), duas mulheres lindas desfilam figurinos produzidos na própria Maison Chanel, de Paris. Muito, muito chique. A-MEI!! NÃO SEI POR QUÊ Chanel me faz lembrar do quanto tenho no banco neste exato momento. Há dias em que daria tudo por uma 'Matrix' em minha vida.
Sônia G. say something (0)
25/06/2004 18:32 caixa mágica

Os loucos por teatro (entre os quais me incluo) encontram em São Paulo seu elemento natural. Há, no momento, umas 90 peças pra adultos sendo encenadas na cidade - em espaços que vão desde teatros grandes e super confortáveis (alguns dentro de hotéis, de shopping centers, de escolas e universidades...), até teatrinhos beeem pequenos (tipo garagem, mesmo), centros culturais e bares. Foi numa noite fria de quarta-feira, no pequeno e simpático (embora incômodo) Teatro Satyros, que assisti pela primeira vez à montagem de um texto do Sérgio Roveri - um querido, que conheci jornalista mas que vem se dedicando cada vez mais intensamente à dramaturgia. Em O Encontro das Águas, dois caras se conhecem em cima de uma ponte - sendo que um deles foi lá pra se jogar. Não, não é uma peça triste. Nem pesada. Nem longa (dura menos de 1 hora). A mim o texto de Sérgio Roveri provocou uma reflexão bastante positiva. Até porque, em algum momento da vida (ainda que remotamente) todos pensamos em pular da ponte... é ou não é? De certo modo, somos sobreviventes. Se estamos aqui é, simplesmente, porque desistimos de pular. O Encontro das Águas fica no Satyros até o fim de julho, sempre às terças e quartas. A direção é de Alberto Guzik. Na foto maior, os atores José Roberto Jardim e Pedro Henrique Moutinho (ambos talentosos, e bonitos). Na foto menor, o autor.
Sônia G. say something (1)
21/06/2004 20:59 efeito prosecco
 
Após participar da divertida orgia alcoólico-gastronômica que foi o aniversário de Alexandra Leite (e que durou o sábado inteiro), ainda consegui reunir forças pra encarar uma sessão da meia-noite. Diante da falta de boas e/ou novas opções, Cunha Jr. e eu ficamos entre Plataforma (produção chinesa com três horas de duração) e Efeito Borboleta. Escolhemos o segundo filme (embora o primeiro continue nos planos).  The Butterfly Effect é um suspense escrito e (bem) dirigido pelo estreante Eric Bress, com Ashton Kutcher no papel principal: um jovem estudante de psicologia acometido por graves surtos de amnésia, resultantes de abusos sofridos na infância. No meio da sessão, me dei conta de que tenho visto muito filme centrado no mesmo plot ( Sobre Meninos e Lobos, Monster...). Abuso infantil é um tema extremamente incômodo, desconfortável. Mas faz a gente pensar sobre o quanto as experiências da infância são determinantes na formação de um adulto íntegro e ético (ou não). Você sabia? Só no Brasil, estima-se que seis milhões de crianças sejam vítimas de abusos sexuais, TODOS OS ANOS!!
Sônia G. say something (2)
19/06/2004 11:24 Nosso eterno charming man

Ouço Chico Buarque desde pequena. No começo, porque minha irmã mais velha ouvia direto (ela forrava as paredes do 'nosso' quarto com fotos, recortes e pôsteres do Chico). O fato é que não me lembro da vida sem Chico Buarque.
O impressionante é que, não importa a época, Chico é sempre tão... tão contemporâneo. Como pode um cara passar a VIDA INTEIRA na moda?
Postado no dia em que Chico Buarque completa 60 anos.
Sônia G. say something (2)
16/06/2004 19:33 sem comentários...
 Desfile do estilista Ricardo Almeida, no primeiro dia da São Paulo Fashion Week (verão 2005)
... totalmente off-topic, né? 
Sônia G. say something (1)
15/06/2004 17:59
beleza roubada
  Deslumbrante ao natural, a atriz sul-africana Charlize Theron está irreconhecível em Monster, filme pelo qual ganhou o Oscar de melhor atriz, este ano. Inquestionavel, por sinal. Charlize fez o que sabia e mais um tanto ao encarnar a prostituta cujos abusos sofridos na infância inviabilizam qualquer perspectiva de socialização - e que passa a matar os clientes (na maior), enquanto vive um caso igualmente desequilibrado com a personagem de Cristina Ricci. Charlize foi longe... da poltrona a gente sente a forte carga de negatividade que provalmente dominava Aileen Wuornos (a serial killer que inspirou o filme).
em compensação...
  A novaiorquina Scarlett Johansson conseguiu ficar ainda mais linda em Moça com Brinco de Pérola ( Girl With a Pearl Earring). Mais linda e mais talentosa. Não havia achado absolutamente nada de Scarlett Johansson em Encontros e Desencontros ( Lost In Translation). Até nem entendi bem porque ela foi escolhida por Sofia Coppola pro principal papel feminino (se foi pra que não desviássemos a atenção de Bill Murray, então tudo bem). Em Moça... a jovem faz a parte dela com precisão e sentimento. Diferentemente de Monster, Moça com Brinco de Pérola nos mantêm em estado de encantamento, durante 95 minutos.
Sônia G. say something (3)
14/06/2004 09:58 no escuro eu choro

O filme Cazuza - o tempo não pára me levou de volta aos 80s, uma das melhores porém mais loucas épocas da minha vida (saí de POA em 84 pra morar no Rio até 89). Lembrei dos shows do Barão no Circo Voador - em geral, vazio (eu adorava, ia a todos). Das madrugadas no baixo Leblon, na pizzaria Guanabara ou no RA (o Real Astoria, restaurante onde cansei de cruzar com o Cazuza - sempre mais pra lá do que pra cá e, invariavelmente, exagerado). Reminiscência pura. Marieta Severo tá incrível no papel da maravilhosa Lúcia Araújo. Pro ator Daniel de Oliveira... TUDO!
Sônia G. say something (3)
10/06/2004 21:25
'I was born with music inside me'

Sônia G. say something (2)
09/06/2004 15:09 just a dream
quarta-feira, véspera de feriado... o céu de s.paulo parece que nunca esteve tão cinza, e feio.
No atual contexto, só me resta sonhar...
Estou num lugar mais ou menos assim:

Sônia G. say something (1)
07/06/2004 07:52 deliciosa reminiscência

Sônia, querida, adorei teu blog. Segues como sempre atentíssima às nossas esquizofrênicas questões culturais, pautadas ao mesmo tempo pelo "evanescente" e pelo que de fato interessa. Não fosse assim não serias a Sônia que aprendi a admirar desde o primeiro momento e de quem outro dia, quando reorganizava meu acervo de fitas cassete, tive o prazer de ouvir a voz, longamente, enquanto passeávamos, com meu gravador ligado, pelas veredas doidas do Cio da Terra. Em que ano foi mesmo aquilo? Lembra das barracas, da procura por fumo, dos shows, das fofocas jornalísticas?
Não me chama de nostálgico. É apenas a lembrança de um momento legal do passado.
Beijo, Juarez Fonseca PS: a foto é só pra lembrares um momento de Tude, Gil e eu em... na época do disco Realce.
Nota da dona deste blog: o meu querido amigo Juarez Fonseca é o da direita. O da esquerda é o também querido Tude Munhoz, de quem não tenho notícias há muitos anos.
Sônia G. say something (2)
04/06/2004 10:51 bloggers
   As duas jovens ao centro e à direita são velhas blogueiras. Já a senhora da esquerda (esta que vos escreve) não passa de uma blogueira iniciante. Dividimos a mesa esta semana, pra rir do que publicamos e, sobretudo, do que jamais publicaremos... A do meio é a Kelly. A da direita é a Alexal. Se estiver a fim de dar umas risadas, passe no blog da Kelly. Se estiver com fome, mantenha distância do blog da Alexal.
Sônia G. say something (5)
03/06/2004 13:37 rock 'n' roll
 Slash is back. É isso mesmo. O ex-guitarrista do Guns N' Roses (que já teve uma banda só dele, a Snakepit, que por sinal tocou aqui, que por sinal eu fui assistir), tá numa novíssima formação, batizada Velvet Revolver. A banda estreou na tv durante o programa do Letterman, semana passada (e que o gnt mostrou há dois dias).
Fora o Slash, fazem parte do Velvet Revolver outros dois ex-integrantes do Guns: o baixista Duff McKagan que pertenceu à formação original, e o baterista Matt Sorum que também já foi The Cult. O vocalista é Scott Weiland (Stone Temple Pilots). Parece bom, né?
Conheça o disco (isto, claro, se você é fã de rock 'n' roll). Vá direto às melhores: Big Machine, Superhumam, Slither e Dirty Little Thing.
Sônia G. say something (0)
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