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31/05/2005 11:31 natureba
  Denise e eu trocamos babados fortes durante o almoço no Bistrô De La Paix, sábado à tarde. O dia tava lindo, e a Tupi é uma das ruas + agradáveis de São Paulo (pode não parecer mas esta cidade é super arborizada). Não falamos mal de ninguém! Recomendo os filés vege- tarianos.
Sônia G. say something (2)
31/05/2005 11:34 o palco de Antunes
 Quisera ter assistido a todas as montagens assinadas por Antunes Filho. Em compensação posso contar que vi Macunaíma (uma das poucas van- tagens da 'experiência'). Era garota e lembro de ter gostado muuuito, foi uma das primeiras peças a que assisti na vida, durava quatro horas. Bem mais adiante vim a saber que aquela montagem fora quase uma reinven- ção do teatro e tinha se tornado um marco na história das artes cênicas. 

Só reencontrei o teatro de Antunes Filho depois de vir pra São Paulo, em 1990. Desde então, devo a ele momentos de grande prazer... de felicida- de, até.
 Não sei se posso dizer o mesmo de Antígona , de Sófocles - novo trabalho da Companhia Macunaíma, em cartaz no Sesc Consolação (a casa de Antu- nes Filho). É a terceira tragédia grega encenada por Antunes e trupe. Mas, se cheguei a chorar durante Fragmentos Troianos e Medéia, em Antígona mais de uma vez tive que me controlar pra não cair na gargalhada... oops! Não descarto a possibilidade de algo estar errado comigo porém prefiro a- tacar outra teoria: tanto mais nos aproximamos da essência da tragédia, mais perto chegamos da comédia. Anyway, é Antunes Filho e eu não dei- xaria de ver por na-da. O cenário do J.C.Serroni é tudo!
Sônia G. say something (3)
23/05/2005 21:43 confinamento (2) Até a mais prazerosa das profissões envolve tarefas maçantes. No jorna- lismo, por exemplo: é muuuito chato decupar (transcrever) fitas contendo entrevistas e reportagens. A má notícia (principalmente p/ quem edita con- teúdo em TV) é que não há etapa mais importante do que a decupagem.
Foram anos e anos de quase sofrimento até perceber, num belo dia, que decupar havia finalmente deixado de ser doloroso pra mim (inacreditavel, nunca pensei que isso pudesse acontecer). Estaria mentindo se dissesse que passei a gostar de empenhar horas a transcrever sonoras e descre- ver imagens (marcando os exatos pontos de entrada e saída!). A explica- ção é outra. Aprendi que muito pior é enfrentar as conseqüências de uma decupagem mal feita.
Poucos souberam dimensionar o real valor dessa tal de decupagem como os cineastas ingleses Karel Reisz e Gavin Millar, autores do livro 'A Técnica da Montagem Cinematográfica' - lançado nos anos 60 e até hoje conside- rado uma espécie de bíblia entre quem trabalha c/ imagens em movimento (difícil de encontrar!). Convictos de que 'a montagem deve começar muito antes que o filme chegue às salas de corte', Reisz e Millar sentenciam, sin- gelamente:
A menos que o material tenha sido intimamente compreendido, não se pode esperar dar-lhe vida.
Sônia G. say something (7)
16/05/2005 11:33 confinamento
 Ultimamente tenho passado hoooras confinada em ilhas de edição, mon- tando programas. O trabalho exige concentração e muita paciência. Mas não é desgastante. Pelo contrário, há momentos bem divertidos. Ainda mais quando as pessoas com as quais dividimos o espaço e a tarefa são bacaninhas - como Buck, Cris e Markinhos. O único porém é que a gente sai dali c/ os neurônios pedindo um tempo. Não tenho feito quase nada, atualmente meus programas mais movimentados são ler e ouvir música.
 Não fosse meu amiguinho Cunha Jr. e eu estaria completamente defasada em relação aos acontecimentos culturais da cidade. Ele me arrastou p/ ver o show do Placebo, o filme Old Boy, e a peça do Gerald Thomas c/ Marco Nanini - Um Circo de Rins e Fígados.
 By the way, tô lendo A Divina Comédia dos Mutantes, do jornalista Carlos Calado. Como eles eram lindos! E ando ouvindo direto a Radio 1, da BBC.
Sônia G. say something (3)
05/05/2005 12:05 à minha cabeceira
 Início de mais uma madrugada. O poeta gaúcho Mario Quintana chega à pensão em que morava, perto da avenida Independência (em Porto Alegre), e é mal recebido pelos cachorros. Quintana reage aos latidos com todos os palavrões disponíveis.
Em meio à gritaria, abre-se a janela e surge a dona da pensão: - Mas o que é isso, seu Mario? O senhor, um homem tão culto, dizendo essas barbaridades!
Ele se defende: - É que a senhora não sabe os nomes que os seus cachorros estão me dizendo...
A historinha aí de cima é uma das 113 reunidas no livro do meu querido amigo Juarez Fonseca, todas em torno do humor e a irreverência de Mario Quintana (1906-1994). Ora Bolas, O Humor Cotidiano de Mario Quintana não sai da minha cabeceira. O livro ta esgotado (após três edições). Bem que a editora Artes e Ofícios podia relançá-lo no centenário de nascimento do poeta, ano que vem. Enquanto não rola, aí vai mais uma do Mario:
Na época em que trabalhava na editora Globo, Mario Quintana andava sempre duro. O salário terminava bem antes do fim do mes, ele vivia pedindo vales de adiantamento. Um dia, o caixa chiou:
- Mas, seu Mario, o senhor já tem um monte de vales!
Quis saber, com aquele sorriso maroto: - Afinal, são vales ou são montes?
Sônia G. say something (6)
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