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25/04/2005 11:46 negociando com o tempo

Definitivamente, num dia cabe muito - mas não tudo. Ultimamente venho estabelecendo uma escala de importância e prioridade, de modo a levantar da cama e partir direto pro que de fato interessa (em bom português 'deixo pra amanhã tudo o que não preciso fazer hoje'). É incrível, ta funcionando!! Tenho cumprido (e direitinho) todas as tarefas que simplesmente não podem esperar. Bem na linha 'um dia de cada vez'.
Nas últimas duas semanas até sobrou um tempinho pra atualizar a agenda cultural. Fui ver:

Maria Cheia de Graça, um ótimo filme sobre a duríssima vida dos que esperam ver dias melhores transportando drogas no estômago. Na Colômbia é comum, principalmente entre mulheres. É a estréia no cinema, da jovem e bela atriz colombiana Catalina Sandino Moreno - que soube exteriorizar muito bem o processo emocional por que passa essa gente. Um 'mula' chega a engolir até 100 cápsulas antes de embarcar num avião, numa operação extremamente desconfortável, e perigosa (se uma cápsula se romper e a droga vazar, o cara morre). No filme tudo é tão real, mais parece um bom documentário (direção do também estreante Joshua Marston).

O Clã das Adagas Voadoras - lindo, lindo, lindo! O diretor é o chinês Zhang Yimou e a exuberante direção de arte leva a assinatura de Han Zong. Só não curti muito o peso dado à história de amor, queria mais adagas voadoras cruzando a telona. By the way, é filme pra assistir no cinema, seria um desperdício deixar pra ver em casa.

Galileo Galilei - a bela montagem da peça de Bertold Brecht ficou só duas semanas em cartaz no Teatro Alfa. Melhor assim, pois pra fazer teatro é preciso forma física e mental - tudo o que falta a Paulo César Peréio (apesar dele ser um ótimo ator). No dia em que assisti, Peréio esqueceu o texto várias vezes. A falta de concentração justo do protagonista estraga o prazer de quem ta vendo (aliás, éramos poucos na platéia). Um profissional consciente de suas limitações não aceitaria interpretar o personagem central de um espetáculo caro como certamente saiu Galileo Galilei - havia até uma orquestra em cena (de câmara da USP). Anyway, valeu a pena ir até o Alfa, só pelo capricho e esmero do diretor cênico Rubens Velloso.

Cubo - fofo, fofo, fofo. O espetáculo multimídia com bailarinos da companhia LudicaDança me fez rir feito criança, adoro quando isto acontece. Trata-se de uma criação a seis mãos sendo que duas delas pertencem a Fernando Meirelles (diretor do Cidade de Deus). Cubo é formado por 16 breves coreografias, pequenas crônicas visuais narradas com inteligência e bom-humor. Pra todas as idades.

Também dei uma passada no Skol Beats que, definitivamente, deixou de ser festa pra virar um 'evento' de música eletrônica. Tudo muuuito grande, muuito longe, dancei à beça mas também caminhei, caminhei, caminhei... Pessoalmente, prefiro um clima mais intimista (pista pequena, beem escura, luz negra, e som no máximo). Na foto estamos Cláudia Erthal, Marcos Maciel, esta que vos escreve, Cunha Jr. e Guta Pacheco.

Trabalhei o feriado inteirinho, porém num ritmo suave, curti muito. Até consegui dedicar algumas horas a ler Paul Auster, jogar Myst III: Exile (fazia dois meses que não pegava nele!), e pra atualizar este blog - o que dá um senhor trabalho!
Sônia G. say something (5)
14/04/2005 12:25 pool playing

NÃO fiz feio na terra em que sinuca é nobre modalidade esportiva. Tá certo que não dei nenhum show. Diria que encaçapei uma bola a cada três, quatro tacadas... Nada mal, hã? Principalmente pra quem não pegava num taco há anos (culpa do computador!). Cheguei, pedi uma mesa (table six), me preparei pro vexame - what am I doing here?? Embora mulheres sejam muito bem-vindas nos snooker's clubs da Inglaterra, enquanto estive ali fui a única presença feminina (tratada como uma lady, of course). Tenho pensado muito a respeito dessa experiência, bater bola sozinha é ótimo - um incrível exercício de concentração, e de equilíbrio mental. PRECISO dar um jeito de encaixar essa prática em minha rotina, novamente.
Aos queridos que andam pedindo fotos, aí vão algumas (classics):




Sônia G. say something (7)
04/04/2005 11:01 U.K.

Em cartaz no circuito londrino, 9 Songs é integral e literalmente sobre sexo e rock'n'roll. Rolam drogas também, mas muito de leve. A story-line é simples: um casal trepa o tempo todo (explicitamente!), e só sai de casa pra assistir a concertos de rock - Primal Scream, Franz Ferdinand, Super Furry Animals e outras seis bandas (totalizando as nove músicas que embalam o filme). Como diria minha amiga Lúcia Soares, 'é de molhar as calcinhas...' O website de 9 Songs é ótimo.

MA-RA-VI-LHO-SA, Vanessa Redgrave acaba de estrear em Londres como Hécuba, de Eurípides. Fiquei até nervosa na hora do espetáculo começar. A montagem da Royal Shakespeare Company (à qual Redgrave está retornando após 40 anos) é classuda, cenário e figurinos não se parecem com alegorias de escola de samba nem o elenco ruge e/ou geme pra expressar a dor e o sofrimento que permeiam o gênero. Pena que Vanessa Redgrave esteja se recuperando de uma cirurgia e precisa se poupar um pouco ao longo da encenação. ANYWAY, por mim ela podia até fazer o papel de uma estátua - que eu ia adorar.

Em compensação quem está em plena forma e dando TUDO de si no palco é Kevin Spacey, no papel central de National Anthems (Hino Nacional). Na peça Spacey é Ben, bombeiro de uma cidade americana, demitido após 21 anos por desobedecer ordens superiores (e entrar num prédio em chamas pra salvar uma mulher que viu pela janela). O ressentido bombeiro bate à porta de um casal que acaba de se mudar pro bairro, muito a fim de desabafar. Durante o estranho encontro as três pessoas exteriorizam distintos sentimentos e emoções - exercício que exige o máximo do elenco (Mary Stuart Masterson e Steven Weber também estão ótimos). Saí do Old Vic Theatre bem satisfeita.

O reencontro com minha amiga Ivone foi muito bom. Parceira de antigas (e fortíssimas) baladas, desde que nos vimos pela última vez Ivone passou por poucas e boas, teve a segunda filha e hoje - enfim - pode encarar o futuro com otimismo e alegria. Na linda Ipswich onde Ivone mora há três anos, existem várias marinas como essa que aparece atrás dela. E, como em quase todo o interior da Inglaterra, nos feriados Ipwswich pára, e fica praticamente deserta.
Sônia G. say something (7)
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